O que você pensa de alguém que cria um projeto social e começa a lucrar em cima dele?

Vamos imaginar a seguinte situação: um site que facilita doações para instituições de caridade, ONGs, projetos sociais, que consegue alcançar milhares de doadores e centenas de instituições e que movimenta milhões de reais em doações anualmente mas que retém 2% de todo o montante doado como “taxa de serviço”. Seus criadores acabam ficando ricos. O que você acha disso?

  1. Que eles estão lucrando indevidamente sobre a boa vontade dos outros e que deveriam fazer este serviço de graça, por boa vontade, ou
  2. Que eles merecem este lucro, afinal estão gerando valor à sociedade e é melhor ganhar dinheiro ajudando outras pessoas do que ganhar dinheiro com outras coisas menos úteis para a população.

Eu espero sinceramente que você tenha optado pela resposta número 2. 🙂 Caso não tenha, continua lendo aí pra gente conversar melhor sobre isso. [E mesmo que você tenha escolhido a resposta 2, continua lendo também para depois convencer seus amigos que escolhem a resposta 1.]

A inspiração para esse post surgiu exatamente porque uma pessoa próxima a mim estava criticando uma iniciativa social que começou a pedir doações e vender itens na lojinha para arrecadar dinheiro. Acontece que todos os participantes da iniciativa já possuem um emprego, então, em teoria, não precisavam de mais dinheiro para se sustentar e deveriam continuar fazendo aquilo como serviço voluntário.

Pouco tempo depois, eu mesma recebi críticas de uma pessoa aleatória na internet que dizia que eu só queria que meu blog crescesse porque algum dia eu pretendia lucrar com ele… Minha resposta? E daí se algum dia eu lucrar com ele? Por acaso é feio ganhar dinheiro quando se gera valor para a sociedade? Eu quero que meu blog cresça porque quero impactar o maior número de pessoas possível, e se eu puder fazer isso ganhando dinheiro, melhor!, pois poderei me dedicar 100% a esta atividade e fazê-la crescer mais ainda.

Pensa comigo: todo mundo precisa de dinheiro para sobreviver, sustentar a família, pagar aluguel, por comida na mesa, pagar plano de saúde… Sendo assim, todo mundo busca um trabalho que seja capaz de pagar suas contas. Afinal, ninguém em sã consciência vai deixar os filhos morrerem de fome apenas em prol de ajudar os outros… Vai?

Você mesmo que está lendo esse post agora… Você tem um emprego e conta com seu salário todo mês para pagar suas contas? Você seria capaz de largar tudo para virar voluntário em alguma ONG para o resto da sua vida? Talvez você tenha uma reserva de dinheiro que vai te sustentar por algum tempo, então, por que não? Mas e depois? Como vai sobreviver? Vai começar a depender do dinheiro dos outros? Vai se tornar você mesmo uma pessoa que precisa ser ajudada?

A não ser que você seja milionário ou que tenha pais ou companheiro(a) que te sustentem, acho que a resposta é não, né? Então por que achar ruim de uma pessoa que quer sobreviver de um projeto social?

Continua no raciocínio aqui comigo… O que é melhor para a sociedade? Uma pessoa que se sustenta trabalhando para uma indústria de cigarros ou refrigerantes (que só fazem mal à saúde das pessoas) ou uma pessoa que consegue se sustentar vendendo camisetas, produtos diversos ou ficando com uma pequena porcentagem das doações de uma iniciativa social que promove a saúde de pessoas das classes mais baixas?

Acho que todos concordamos com a resposta, certo?

É óbvio que existe uma diferença entre ganhar dinheiro com um projeto social e enganar os outros dizendo que está usando o dinheiro para ajudar crianças carentes e estar embolsando todo o valor… Não é disso que estou falando. Para evitar dúvidas ou mal-entendidos, o projeto social precisa ser, sobretudo, transparente. [Leia o post relacionado à transparência clicando aqui.]

Se não fossem os lucros, não haveriam empresas como a TOMS, que ajudam milhares de pessoas pelo mundo.

O próprio Muhammad Yunus, o pai do negócio social [saiba mais aqui], defende que projetos sociais obtenham lucros para que sejam auto-sustentáveis, consigam se expandir e, consequentemente, impactar mais e mais pessoas. Segundo ele, depender apenas de doações limita sua atuação além de fazer o projeto perder muito homem-hora para correr atrás de doadores.

Portanto, se você escolheu a resposta número 1 lá em cima, espero que daqui para frente você comece a repensar seu posicionamento. 🙂

E deixe aqui nos comentários sua opinião sobre o assunto.