Hoje é o Dia Internacional para Erradicação da Pobreza e, para celebrar esta data, resolvi fazer esse post, que discute como podemos erradicar a pobreza e nos livrar de um dos seus sintomas que mais se destacam na sociedade brasileira: a violência.

Passadas as Olimpíadas, começamos a ver novamente uma série de notícias e relatos sobre assaltos e arrastões aqui no Rio de Janeiro. E isso na verdade não é surpresa para ninguém, né… Dá até vontade de erguer aquela plaquinha…

eu-ja-sabia

E com junto com os novos casos de violência, surgem maiores manifestações de raiva da maioria da população, que, com razão, está de saco cheio de ser vítima de jovens delinquentes e do descaso da administração pública. Acontece que reagir com ódio muitas vezes acaba nos cegando para encontrar uma boa solução para o problema.

“Tem que por na cadeia!!”, muitos dirão… Bom, tem que punir mesmo, não vou negar… Mas acontece que por muitas vezes esquecemos de nos focar na causa raiz do problema: a pobreza.

“Ih, la vem mais uma comunista dizendo que esses pivetes são vítimas da sociedade!!”. Calma! Eu estou muito, MUITO longe de ser comuna…

O que quero lhe mostrar aqui é que não adianta apenas podarmos a erva-daninha e ao mesmo tempo permitirmos que ela continue sendo alimentada e se multiplicando infinitamente. Seria estúpido da nossa parte. Temos que fazer um trabalho de duas frentes: primeiro garantindo a punição ou reeducação adequada para estes menores delinquentes, segundo, evitando que novas crianças venham a cair neste mundo.

E como podemos fazer isso? Olha só que interessante.

O trecho abaixo é do blog da Carmen Migueles, candidata à prefeitura do Rio pelo partido NOVO nessas eleições. Acho que nunca havia lido algo tão coerente com relação a este assunto. [Como eu digo desde o início aqui no blog, não estou aqui para ficar fazendo propaganda de nenhum partido, mas me sinto na obrigação de compartilhar informações que julgo importantes para o propósito do Salve Brasil.]

Todos os estudos do Banco Mundial (ver Global Gender Gap Report, disponível na web em PDF) e da ONU (ver metas do milênio) confirmam que há uma relação entre miséria crônica e gênero. A enorme maioria (mais de 80%, chegando a 90% dependendo da região) dos miseráveis do mundo são mulheres e crianças até 10 anos dependentes dela. A causa, é a maternidade. O abandono das mães pelos homens (na nossa cidade, cerca de 48% dos domicílios são sustentados por mulheres) gera a terrível situação de vulnerabilidade desses indivíduos. Para sair para trabalhar, a mãe deixa as crianças vulneráveis. Se não sair para trabalhar, ficam miseráveis. Esses jovens, vítimas de múltiplas formas de violência, física, sexual e/ou psicológica e abandono, são facilmente recrutados pelo tráfico e outros tipos de crimes. São eles que matam. E são eles que morrem. Nossa polícia pode ser melhorada. Mas não é ela a única ou a principal causa da enorme mortalidade de jovens negros. É o crime. E a saída é o foco nas mães e na proteção dessas crianças, com creches horário integral ou até 24 horas, para as mulheres que trabalham à noite. Como essas mães tem dificuldade de permanecer no mercado de trabalho, criar essas creches gerando emprego ou oportunidade de empreendedorismo para elas seria a política pública que mais resultados teria na construção da paz e da prosperidade na nossa cidade, pois atuaria preventivamente sobre o crime e proativamente na redução da miséria.

Adorei! Faz todo o sentido, você não acha? Mas eu iria muito além! Não precisamos esperar políticas públicas para criação de creches e oportunidades de empreendedorismo para essas mães. Podemos criá-las nós mesmos!

Até pesquisei na internet, já existem algumas iniciativas nesse sentido, como, por exemplo, a creche Anjinho Feliz. Mas essas instituições em geral dependem de doações de pessoas físicas e jurídicas.

Lembra-se do post sobre negócios sociais? Que tal se criássemos creches auto-sustentáveis, que não dependem do dinheiro de terceiros para funcionar? Isso é plenamente possível! Imagine uma creche que cobra um preço de mercado para mães e pais das classes A e B e que utiliza os lucros dessa creche para fornecer o mesmo serviço para as classes C, D e E a preços bem mais acessíveis. Essa creche poderia inclusive empregar as mães da comunidade, que terão oportunidade de receber um salário e cuidar de seus filhos ao mesmo tempo! Por que não!?

Gostei tanto desta ideia que ela vai ficar registrada lá no Banco de Ideias! [Não deixem de visitar esta página para conferir outras ideias para mudar o Brasil!]

E você? Gostou também? Que tal agir ao invés de ficar só reclamando? Você é dono de uma creche? Ou trabalha para uma? Leva seu filho em alguma? Ou simplesmente conhece alguma creche? Que tal ir lá conversar com os donos e ver se eles estariam dispostos a causar maior impacto social?

Vamos espalhar esta ideia por aí!? Conto com você! Compartilhe com seus amigos no Facebook e deixe nos comentários suas impressões e sugestões!